segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O meu coração está batendo fraco
E é como se a poesia, que já me basta, escorresse de um pequeno furo feito na veia.
Dói como se há de doer ir morrendo aos poucos...
A luz dos olhos já não é a mesma
Há, sim, a tua ausência.
Já também não consigo sentir o meu corpo,
Esforço-me para um sorriso,
Qualquer coisa delicada...
Os cheiros já não sinto mais,
Nem uma resposta do meu eu, eu ouço.
Agora o ar é exíguo.
O último passo já foi dado.

Pronto!

domingo, 25 de dezembro de 2011

coisas da vida

é incrível,
mas as coisas mudam,
mornam,
cessam,
perdem a graça
e nós precisamos saber lidar com isso...

ps:  eu ainda não sei...

o dia precisa renascer

Eu já não sou mais a mesma.
Algo insuportável me invadiu.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Algo de revolucionário precisa acontecer
Que é para dar um melhor sentido à vida!
Ando precisando de um auxílio da sorte,
Ou do meu “anjo da guarda”,
Ou do destino mesmo,
Que seja!

Tá tudo muito chato e parado por aqui.
Precisando de coisas boas!
Que 2012 tenha a cara da revolução
Ou então,
Que o mundo se acabe logo...
Porque tem muita coisa diluindo diante dos olhos,
E essa catástrofe em pequenos goles é uma MERDA TORTURENTA...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Vai, meu coração, pede perdão...Vai, porque quem não pede perdão, não é nunca perdoado.


Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, por que você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai meu coração ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Hoje eu acordei com medo,


Sabe aquela FELICIDADE. Aquela incontrolável. Aquela que de tão boa nada nem ninguém poderia destruir? Pois bem, eu consegui, eu a senti, experimentei, eu sei o que é, é tão bom saber, sentir e viver isso, no entanto, eu, com a minha incompetência, incompetência de viver consegui matar aos poucos essa beleza. E agora estou aqui. Volto à estaca zero.
“e de repente a gente ver que perdeu ou que está perdendo alguma coisa...” como bem disse Cazuza.
Agora estou com medo de tudo que já se foi. De tudo que eu não soube ter, não soube cultivar.
Eu vim escrever por pura falta de opção. Eu não sei o que fazer. É desespero é qualquer coisa que o valha e eu não sei pra onde ir, pra onde olhar, por quem chamar. Vim aqui registrar minha burrice, minha inabilidade. Minha fraqueza. Eu sou exatamente um prato cheio de indelicadeza e sei lá do quê mais...
Junte aí todo vosso repertório de avacalhação e o lance em mim. Digam todas as palavras feias que conhecem, gritando em meu ouvido ignorante e estéril. Eu as mereço mesmo...
Sempre que estou muito triste a canção de Cazuza me vem à mente. A canção chama-se, lucidamente, POEMA porque é exatamente um poema, e como me traduz... Mas eu sempre a ouço na voz inigualável do Ney Matogrosso e é este poema nesta voz que misturado a tudo que estou sentindo, me faz sofrer mais forte e intensamente.
Eu sei que para amar a gente tem de errar mesmo, quebrar a cabeça, fazer loucuras. Mas é tão difícil errar. É tão difícil olhar no olho do outro e ver uma decepção causada por nós. Por nossas atitudes, por falhas nossas. Por faltas nossas, por qualquer coisa... É tão difícil ser fraco e demasiadamente humano. É tão difícil não ser digno de um amor tão bonito...
Eu não fui. Nem sou.
 É que eu tenho tanta vontade de acertar... Mas eu sempre erro. Também me cansa isso. Vou começar a fazer tudo ao contrário que é pra ver se acerto mais, ou pelo menos, erro menos. Sei que de algum modo devo estar aprendendo com isso, mas é tão profundo e estranho aprender assim. Sempre damos conselhos e dizemos para os outros: é assim mesmo, tudo que começa, acaba um dia. Essas palavras parecem tão simples de serem ditas, mas como é cruel ser “a bola da vez”. Como dói...
Eu, particularmente, quero chorar, mas não tenho lágrimas. Acho que hoje estou “aguando o bom do amor”. Eu queria acordar amanhã mais tranquila, sem este peso, este aperto, esta dor no coração. Isso não é poesia, é dor mesmo, física. Dói como uma coisa perfurando a pele. Acho que agora, depois deste sacalavanco da vida estou percebendo que vivo de verdade, que amo de verdade. Espero que já não seja tarde demais. Tarde pra pedir desculpas. Espero que quando eu vá pedir desculpas a voz saia que é pra valer a ida e o amor. Espero que acredite.
A consciência dói tanto, lateja. Deve ser castigo.
Desde o dia em que ouvi aquelas palavras, aquelas duras como pedras e granitos, comecei a reavaliar tudo, cada atitude, cada pessoa, cada olhar, cada gesto.
Estou indo no fundo de mim. Conheço-me desde que nasci, mas só me reconheço hoje. Só estou me reparando como deveria ter feito, agora, depois que perdi, ou que estou na iminência de perder.

"Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro"

domingo, 11 de setembro de 2011

"É que eu preciso dizer que eu te amo"

Eu acho que preciso aprender tantas coisas,
Mas já nem sei se haverá tempo.
Eu queria poder escrever uma poesia.
Algo bonito e feliz.
Com sorrisos, abraços e contemplações.

Só que estou abandonada na tristeza.
Tentando fugir, ajustar, mas nem sei como será isso.
Eu poderia fazer aqui rimas singelas,
ou mesmo versos belíssimos que minha imaginação produziria,
Mas não, nada presta. Tudo se há de jogar fora.
As coisas estão tão feias ao redor.
E aqui dentro, uma catastrofe.
Minha cara no espelho mesmo, minha cara é uma desesperença.
Sabem aquelas peredes imaginárias que vão se locomovendo e nos prendendo nelas.
Estou me sentindo assim.

Acho que hoje eu fui egoísta. Acho que a palavra não é essa, é pior, mas acho que foi isso, ou foi quase isso. Sei lá...

Eu vim escrever por pura falta de opção.
Eu não sei o que fazer.
É desespero, é qualquer coisa que o valha,
e eu não sei pra onde ir, pra onde olhar, por quem chamar.
Vim aqui registrar minha burrice.
Eu sou exatamente um prato cheio de indelicadeza e sei lá o quê...

Eu deveria pedir desculpas, não é?
É.
Mas a palavra desculpa é muito fraca.
Preciso de algo mais significante.
Talvez eu precise de gestos.
Mas eu sou tão sem coragem.
Tão boba.
Tão fraca.
Tão frágil.
EU NÃO SEI O QUE FAZER!
Junte aí todo vosso repertório de avacalhação e o lance em mim.

Digam todas as palavras feias que conhecem, gritem em meu ouvido ignorante.
Eu as mereço!





domingo, 21 de agosto de 2011

Conflitante:


"Quando um poeta se encontra
Sozinho num canto qualquer do seu mundo
Vibram acordes, surgem imagens
...
Soam palavras, formam-se frases
Mágoas, tudo passa com o tempo
Lágrimas são as pedras preciosas da ilusão
Quando, surge a luz da criação no pensamento
Ele trata com ternura o sofrimento
E afasta a solidão"
 
Não estou conseguindo fazer isso Paulinho da Viola. É, acho que não sou Poeta!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

TOCANDO EM FRENTE

Composição: Almir Sater e Renato Teixeira
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais


Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei


Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs


É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir


Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou


Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs


É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir


Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora


Cada um de nós compõe a sua historia
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz


(...)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Trevo de três folhas:




Os trevos que nascem em frete a minha casa têm apenas TRÊS folhas, acho que, de qualquer sorte, me darão sorte.
Não ligo para a raridade dos de quatro.
Meu sentimento é que me importa!

Professor:

E o salário, ó!



É preciso dizer mais alguma coisa???

No no no!

D.I.V.A

Pq ela vivia em carne viva e a flor da pele,
Era difícil encará-la e entendê-la !

Pq em 27 anos fez o que muitos em 50 ou 100 não farão.

Merda pra eles!

Há quem saiba ouví-la respeitosa e emocionadamente!


"Entender é limitado, não entender pode não tem fronteiras!"
Por isso não procuro entender, mesmo entendendo tudo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

POST SECRET

QUANDO SE É FELIZ,

Nem sempre se sorri (pra fora!)

Eu mesma, me envolvo em abraços apertados assim.

Ocupo-me em beijos prolongadíssimos!

E nem sempre estou disposta a ser feliz o tempo inteiro para o mundo inteiro.

às vezes me encontro no que há de particular, pequeno e secreto.

Inteiro.






Só que às vezes rendo-me ao mundo inteiro e à sua chatice!!

Sentimentalismos. Merda!

Estou amável e saudadosa.


Sinto saudades dos que se foram e que não posso mais abraçar.
Ainda bem que tem alguns a quem se pode dar um alô, mesmo que por telefône, já queo tempo e a distância não se esgotaram, por enquanto...
Faça um 21, compre um tim, manda-me uma cartinha, um e-mail ou um torpedo que seja... 





Repito: É fundamental sentir saudade, mas dói!
Merda!




P.S 1:. Carol, amêga, apareça!
P.S 2:. Lulis, amêga, é sempre bom falar contigo!
P.S 3:. Falar com João foi especial e bonito!



Absurdando!

É um absurdo, mas às vezes tenho muita saudade de mim!!
Não entendam, nem busquem entender.
É uma coisa que fui e que não há modo de voltar.
O jeito é conquistar outra coisa!"


Futuro-me!


Bunitá tá sou!

Para dizer a verdade, hoje estou muito bonita!

Quase sempre é assim quando o dia nasce sorrindo e as flores conseguem se abrir sem muitos mistérios, apenas com efeitos de eflorecências.
O melhor modo de ser bonita é cuidando da parte de dentro,
Isto feito, todo o resto resplandece!


Apois, Bunitá tá sou!

P.S:. Poema pra mim, presente de aniversário!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Presentinho para o dia dos Namorados: MicroPoema


                                                               Para o meu amor-você!
"...que seja eterno enquanto dure(m)... 'os ossos' ".

Ok, ok: Nem só de amor vive o homem, mas, licença!
 "O meu tempo é quando."

E neste quando,


O Amor, com a sua habitual violência-delicada, DEFLOROU-ME!
E isto foi inevitável.
Sem dó nem piedade encheu a minha boca de língua em um beijo infalível.
Agora, só quero fazer amor com os olhos,
Com os gestos,
Com o corpo,
Com a alma,
Com o impossível e,
Com o sentimento!
Consinto-me!
Agora, eu só quero é não saber o que fazer.
É que o Amor, com a sua inconsequente frequência, nos deixa assim: palermas!
Só quero bolar carinhos diferentes,
Ligar em meio ao expediente,
Marcar encontros casuais!
Escrever ( bobagens amantíssimas)
Aqui só há espaço para isso agora!
Nada de verdades burocráticas ou atitudes que irão mudar o mundo.
Ah, não estou pronta para mudar o mundo...
Estou mole.
É um momento que somente cabe:
deitar, relaxar, e dormir em meio às pernas, ao amor e ao carinho!
beijos, abraços, hálitos, calores, explosões e, tudo isso vermelho...
Cabeça colada no peito e sono tranqüilo...
O amor invadiu-me e estou completamente entregue!


P.S1: Meu bem, além de ler as entrelinhas, leia os comentários, vou postá-los até que chegue o dia dos namorados!
P.S2: este é o meu modo de dizer: Amo você!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Aceitam tudo

Reprodução


Trecho do livro "Por uma Vida Melhor" apresenta a pergunta "posso falar 'os livro'?"

Sírio Possenti*

De vez em quando, alguém diz que lingüistas "aceitam" tudo (isto é, que acham certa qualquer construção). Um comentário semelhante foi postado na semana passada. Achei que seria uma boa oportunidade para tentar esclarecer de novo o que fazem os linguistas.
Mas a razão para tentar ser claro não tem mais a ver apenas com aquele comentário. Surgiu uma celeuma causada por notas, comentários, entrevistas etc. a propósito de um livro de português que o MEC aprovou e que ensinaria que é certo dizer Os livro. Perguntado no espaço dos comentários, quando fiquei sabendo da questão, disse que não acreditava na matéria do IG, primeira fonte do debate. Depois tive acesso à indigitada página, no mesmo IG, e constatei que todos os que a leram a leram errado. Mas aposto que muitos a comentaram sem ler.
Vou tratar do tal "aceitam tudo", que vale também para o caso do livro.
Primeiro: duvido que alguém encontre esta afirmação em qualquer texto de linguística. É uma avaliação simplificada, na verdade, um simulacro, da posição dos linguistas em relação a um dos tópicos de seus estudos - a questão da variação ou da diversidade interna de qualquer língua. Vale a pena insistir: de qualquer língua.
Segundo: "aceitar" é um termo completamente sem sentido quando se trata de pesquisa. Imaginem o ridículo que seria perguntar a um químico se ele aceita que o oxigênio queime, a um físico se aceita a gravitação ou a fissão, a um ornitólogo se ele aceita que um tucano tenha bico tão desproporcional, a um botânico se ele aceita o cheiro da jaca, ou mesmo a um linguista se ele aceita que o inglês não tenha gênero nem subjuntivo e que o latim não tivesse artigo definido.
Não só não se pergunta se eles "aceitam", como também não se pergunta se isso tudo está certo. Como se sabe, houve época em que dizer que a Terra gira ao redor do sol dava fogueira. Semmelveis foi escorraçado pelos médicos que mandavam em Viena porque disse que todos deveriam lavar as mãos antes de certos procedimentos (por exemplo, quem viesse de uma autópsia e fosse verificar o grau de dilatação de uma parturiente). Não faltou quem dissesse "quem é ele para mandar a gente lavar as mãos?"
Ou seja: não se trata de aceitar ou de não aceitar nem de achar ou de não achar correto que as pessoas digam os livro. Acabo de sair de uma fila de supermercado e ouvi duas lata, dez real, três quilo a dar com pau. Eu deveria mandar esses consumidores calar a boca? Ora! Estávamos num caixa de supermercado, todos de bermuda e chinelo! Não era um congresso científico, nem um julgamento do Supremo!
Um linguista simplesmente "anota" os dados e tenta encontrar uma regra, isto é, uma regularidade, uma lei (não uma ordem, um mandato).
O caso é manjado: nesta variedade do português, só há marca de plural no elemento que precede o nome - artigo ou numeral (os livro, duas lata, dez real, três quilo). Se houver mais de dois elementos, a complexidade pode ser maior (meus dez livro, os meus livro verde etc.). O nome permanece invariável. O linguista vê isso, constata isso. Não só na fila do supermercado, mas também em documentos da Torre do Tombo anteriores a Camões. Portanto, mesmo na língua escrita dos sábios de antanho.
O linguista também constata the books no inglês, isto é, que não há marca de plural no artigo, só no nome, como se o inglês fosse uma espécie de avesso do português informal ou popular. O linguista aceita isso? Ora, ele não tem alternativa! É um dado, é um fato, como a combustão, a gravitação, o bico do tucano ou as marés. O linguista diz que a escola deve ensinar formas como os livro? Esse é outro departamento, ao qual volto logo.
Faço uma digressão para dar um exemplo de regra, porque sei que é um conceito problemático. Se dizemos "as cargas", a primeira sílaba desta sequência é "as". O "s" final é surdo (as cordas vocais não vibram para produzir o "s"). Se dizemos "as gatas", a primeira sílaba é a "mesma", mas nós pronunciamos "az" - com as cordas vocais vibrando para produzir o "z". Por que dizemos um "z" neste caso? Porque a primeira consoante de "gatas" é sonora, e, por isso, a consoante que a antecede também se sonoriza. Não acredita? Vá a um laboratório e faça um teste. Ou, o que é mais barato, ponha os dedos na sua garganta, diga "as gatas" e perceberá a vibração. Tem mais: se dizemos "as asas", não só dizemos um "z" no final de "as", como também reordenamos as sílabas: dizemos as.ga.tas e as.ca.sas, mas dizemos a.sa.sas ("as" se dividiu, porque o "a" da palavra seguinte puxou o "s/z" para si). Dividimos "asas" em "a.sas", mas dividimos "as asas" em a.sa.sas.
Volto ao tema do linguista que aceitaria tudo! Para quem só teve aula de certo / errado e acha que isso é tudo, especialmente se não tiver nenhuma formação histórica que lhe permitiria saber que o certo de agora pode ter sido o errado de antes, pode ser difícil entender que o trabalho do linguista é completamente diferente do trabalho do professor de português.
Não "aceitar" construções como as acima mencionadas ou mesmo algumas mais "chocantes" é, para um linguista, o que seria para um botânico não "aceitar" uma gramínea. O que não significa que o botânico paste.
Proponho o seguinte experimento mental: suponha que um descendente seu nasça no ano 2500. Suponha que o português culto de então inclua formas como "A casa que eu moro nela mais os dois armário vale 300 cabral" (acho que não será o caso, mas é só um experimento). Seu descendente nunca saberá que fala uma língua errada. Saberá, talvez (se estudar mais do que você), que um ancestral dele falava formas arcaicas do português, como 300 cabrais.
Outro tema: o linguista diz que a escola deve ensinar a dizer Os livro? Não. Nenhum linguista propõe isso em lugar nenhum (desafio os que têm opinião contrária a fornecer uma referência). Aliás, isso não foi dito no tal livro, embora todos os comentaristas digam que leram isso.
O linguista não propõe isso por duas razões: a) as pessoas já sabem falar os livro, não precisam ser ensinadas (observe-se que ninguém falao livros, o que não é banal); b) ele acha - e nisso tem razão - que é mais fácil que alguém aprenda os livros se lhe dizem que há duas formas de falar do que se lhe dizem que ele é burro e não sabe nem falar, que fala tudo errado. Há muitos relatos de experiências bem sucedidas porque adotaram uma postura diferente em relação à fala dos alunos.
Enfim, cada campo tem seus Bolsonaros. Merecidos ou não.
PS 1 - todos os comentaristas (colunistas de jornais, de blogs e de TVs) que eu ouvi leram errado uma página (sim, era só UMA página!) do livro que deu origem à celeuma na semana passada. Minha pergunta é: se eles defendem a língua culta como meio de comunicação, como explicam que leram tão mal um texto escrito em língua culta? É no teste PISA que o Brasil, sempre tem fracassado, não é? Pois é, este foi um teste de leitura. Nosso jornalismo seria reprovado.
PS 2 - Alexandre Garcia começou um comentário irado sobre o livro em questão assim, no Bom Dia, Brasil de terça-feira: "quando eu TAVA na escola...". Uma carta de leitor que criticava a forma "os livro" dizia "ensinam os alunos DE que se pode falar errado". Uma professora entrevistada que criticou a doutrina do livro disse "a língua é ONDE nos une" e Monforte perguntou "Onde FICA as leis de concordância?". Ou seja: eles abonaram a tese do livro que estavam criticando. Só que, provavelmente, acham que falam certinho! Não se dão conta do que acontece com a língua DELES mesmos!!




*Sírio Possenti

Sírio Possenti é professor associado no Departamento de Lingüística do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, onde fez mestrado e doutorado. Leciona disciplinas introdutórias à lingüística e à análise do discurso, campo no qual realiza pesquisas e orienta estudantes de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado (23 dissertações de mestrado e 20 teses de doutorado). Estuda os discursos humorístico, jornalístico e publicitário. Publicou Discurso, estilo e subjetividade (S. Paulo, Martins Fontes), Os humores da língua (Campinas, Mercado de Letras) e Os limites do discurso e Questões para analistas do discurso (São Paulo Parábola). Co-organizou coletâneas de trabalhos em análise do discurso e traduziu Gênese dos discursos, de Dominique Maingueneau.




domingo, 5 de junho de 2011

Acho que perdi alguma coisa nesses últimos tempos. E a culpa é minha. Tenho de ter cara para voltar atrás, mas sei que estou com vergonha.

Ouvi duras verdades. Alguns silêncios eu os ouvi.

É, até de escrever estou me cansando.

Observam e cobram tantas coisas de mim.
Já não sei se me tenho tanto para doar-me.
Enjoei de mim e. Basta!

Não quero que me corrijam os erros de português nem as dores.

Um sufoco, um sufoco, um sufoco, uma tristeza...
Que vontade de ser feliz, Meu Deus!

Mas ser Feliz é quase uma metáfora.

A vontade de sumir também é verdadeira.

Estou sem os meus sorrisos límpidos e fagueiros.

Ok. Estou desarmada!



Volto a me sentir como em alguns anos atrás!



P.S: não quero comentários!




















segunda-feira, 30 de maio de 2011

fotografando...

Não dá para pintar nem a dor, nem a fome, não dá para exatamente fotografá-las, mas no comércio de Salvador, ao visitá-lo, barrigas roncam diante dos olhos, e mais do que ouvir, é possível ver os roncos muito mal acompanhados do mau cheiro de lá, e tem gente que só enxerga o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo que de tão sofridos, cheiram a sangue... A dor está na sensibilidade de quem olha e no 'como' se olha o que se olha!

O Paradoxo



A vista da Ladeira da Montanha é a constatação da megalomania de Deus, já o seu cotidiano é a prova de uma falta de atenção quase grotesca. Há de se levar em consideração qualquer coisa de paradoxo. Neste sentido, os olhos precisam se abrir...

Há ‘gemidos’ por estas áreas...
E as montanhas nada escondem...


terça-feira, 17 de maio de 2011

Quadro Negro Simples Rap'ortagem



Acordei de um longo sono, a intensa luz quase me cega

É preciso revelar o que se nega
Se a vida é uma escola toda escola tem seu quadro
Quadro negro, formato quadrado
Nele reescrevo a minha história, faço um deário
Na minha lista negra só tem revolucionário
Marias guerreiras das periferias você tem que ver
Os guerreiros do passado e os atuais do MST
Os homossexuais que resistem com dignidade
Crioulos e indígenas que adentram as faculdades
Se o escuro é feio minha poesia é imunda
Das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda
E por falar em água, me vem na lembrança
O quadro negro na verdade tem a cor da esperança
Que caia um temporal sem pedir licença
E faça desabar essas velhas crenças
Visões estúpidas, espalhadas pelo mundo
Que associou a cor preta a tudo que é imundo
O negro discrimina o próprio negro sim
Se aquele que apontas como negro não se acha assim
Cresceu aprendendo que ser negro é feio
Se é tudo de ruim quem é que quer andar no meio?
Quem escreveu a história do negro nesse país?
Basta ver a cor do giz
Os Reis Faraós do Egito hoje mumificados
Se tirassem suas faixas pudessem ser ressuscitados
Saberia dizer a cor da pele deles sem engano?
Quer uma pista: Egito é um país africano
Não adianta sabermos que não existe raça
Se o conceito predomina e representa ameaça
O hip-hop não nega a mestiçagem, porém
Sabe que ela não trouxe igualdade pra ninguém
Tá vendo o que a herança racista ofereceu?
Se existia escravidão entre africanos antes dos
europeus
Era com sentido diferente do que se viu
Não eram vendidos, não tinha caráter mercantil
As tribos guerreavam o grupo perdedor assume
Rendição por questão de honra, de costume
Se há uma cor do pecado ela chegou de mansinho
Espalhando discórdia e ambição pelo caminho
Sua ciência e religião assim disseram com toda calma
É inferior! Pode escravizar que não tem alma
A cor da paz cometeu holocausto aos judeus
Barbárie na inquisição em nome de Deus
Nas Américas, índios foram dizimados
Mas quem sobreviveu está criando um novo quadro






Se na prova der branco na memória
Vamos denegrir a sua mente com a nossa história
A luz do sol ofusca a visão
E a beleza da lua só é possível com a escuridão
A luta pelas cotas não anula a luta pela melhora
Da qualidade de ensino público, tu ignora
Pelo contrário, quanto mais negros na academia
Muito mais força pra se lutar por um novo dia
Racismo, o que mais me causa espanto
Não se encara como problema do branco
Mas entre esses, há os que lutam pelo seu fim
"ah se todo branco fosse assim"
Branquitude, pouco se ouve falar
O que explica o privilégio que sua etnia pode
conquistar?
Pra quem nasceu em berço de ouro é difícil entender
Que não é só porque seus pais fizeram por merecer
Foram anos de exploração no passado pra que um dia
A sociedade fosse estruturada a favor de uma minoria
Há os que não admitem cotas julgando serem injustas
Outros julgando serem esmolas, tudo isso me assusta
Pergunto quanto custa superar o engano?
Quanto custa ignorar os direitos humanos?
Muita coisa bonita garante a Constituição
Se esquecida ou ignorada precisa de afirmação
Pretos e brancos são iguais, e daí? Se a norma
Nem no cemitério são tratados da mesma forma
Entenda agora o que são ações afirmativas
Medidas pontuais, alternativas
Medidas passageiras que vem afirmar
Pra sociedade, que há, desigualdades, a reparar
Dos que vivem abaixo da linha da pobreza
70% são negros, que beleza!
Do total de universitários brasileiros
97% são brancos e herdeiros
De uma política que patrocinou para embranquecer a raça
A vinda de 4 milhões de estrangeiros, o tempo passa!
Tudo isso, em 30 anos irmão
Foi o que se trouxe de negros, em 3 séculos de
escravidão
Patrocínio com recurso público, o negativo
Para os escravos libertos nenhum tipo de incentivo
Nos mataram, exploraram e depois largaram a toa
Sem emprego, casa, comida, só disseram: vai, voa!
Sem asas e quem sobreviveu tá por um triz
Amontoados nas favelas de todo país
Quantos brancos moram lá? Cê conta no dedos
Agora entenda porque cotas para negros


Refrão

Eu quero bonecas, anjos, apresentadores pretos e
pretas
Empresários, juízes, modelos, doutores pretos e
pretas
Se querer é uma faceta
Eu quero, desejo, uma elite preta
Uma coisa é pedir outra é conquistar respeito
O fruto de uma conquista dá-se o nome de direito
Olhe pra minha cor, olhe pra nossa luta
Nem esmola nem favor se desigual é a disputa
Entre quem sempre teve privilégio de estudar
Com ensino de qualidade em escola particular
E querer comparar com ensino público e a situação
Tele-aula, aceleração
Vestibular pra faculdade pública o esquema é raro
Com cotas ou não só entra quem tem preparo
Não serão as cotas que terão o privilégio de
inaugurar
A presenças de alunos educados pra manguear
Vestibular das particulares tomou a frente, foi mais ligeiro
Freqüentemente só basta ter dinheiro
Quem concorrer pelas cotas vai se deparar legal
Com uma concorrência enorme mas não desleal
Desleal é a condição que o jovem negro encara
Fusca para ele, Ferrari para os de pele clara
Competirem com as mesmas regras, maldade
É isso que eles chamam de igualdade
Engraçada essa gente da estética
Ter instrução em excesso nunca foi sinal de ética
Será mesmo a suposta elevação intelectual
Que garantirá a formação, de um bom profissional?
Não subestime a inteligência dos excluído desse
milênio
A faculdade do crime só tem gênio
A elite é quem decide em âmbito nacional
Se nossa inteligência será usada para o bem ou para o mal
Tanto tempo buscando debate ninguém se importou
A cota de tolerância do meu povo já se esgotou
A Simples Rap´ortagem revela para o Brasil
Com cotas ou não vestibular é funil
Com cotas ou não vestibular é peneira
Quem concorrer pelas cotas mas não for bom vai levar rasteira
Que vença o melhor...chega a ser hilário
A prova é uma só os concorrentes que são vários
Quem se afirmou, como provar se é negro ou não?
De uma vez por toda pra se resolver a questão
O cassetete da PM tem dispositivo de elite
Nunca erra quem é negro, acredite!


Refrão


Cuidado quando alguém te incita
A ir a um show onde só tem gente bonita
Olhe sempre com reservas, pra mim o que interessa
É saber que gente bonita é essa
Analise os termos que deixaram pra gente
Entre pardo e mulato qual o mais indecente?
Qual o menos prejudicial?
Ter a identidade de mula ou de pardal
Mas pêra aê, veja que pirraça
Pardal não é aquele passarinho que não tem raça?
Que perambula pelas praças, dizem sem valor
Pássaro sem vocação pra cantor
Vira-lata, a mula é um animal
Mão de obra barata, estéril, irracional
Só serve para o trabalho mas não para produzir
E aí cumpade, tu se encaixa mesmo aqui?
Nem parda, nem mulata eu me defino politicamente
Sou negra, ou se quiser afro-descendente
Cuidado, que eu tô em pele de cordeiro
Do tipo que da coice, afro-brasileiro
Deveria ser executado com um tiro de bazuca
O criador do personagem "negra maluca"
Eu sou sério demais? Não vá se preocupar
Herdei da minha gente o talento pra contrariar
Contrariando, tu vai sim me ver sorrindo
Mas o hip-hop superou o discurso do "negro é lindo!"
A quem interessa? Eu digo a quem pensou
Que eu seria só mais um com vocação pra tambor
Se respeito é bom, não nos leve a mal
Quem vos fala é um skatista, uma pedagoga e cientista social
Da Universidade Federal da Bahia
Detalhe, quem diria, na terra do "é só alegria!"
Se denegrir é tornar negro irmão
Vamos denegrir a faculdade de comunicação
De direito e muito mais
Vamos denegrir os órgãos oficiais


Refrão

A manchete da Simples Rap´ortagem estampa
Um novo quadro negro se levanta
Há muito a ser contado sobre os nossos ancestrais
Não deixar passar em branco, tarefa nossa rapaz
Se ligue, há muito a ser feito
O importante nego é fazer do nosso jeito.

356. Encontro discute a participação da mulher na mídia

Una historia de amor



sem palavras...

O Amor é Filme!




- cordel do fogo encantado -

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Seletivismo!

'Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias."




Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago (RS). Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas (SP). Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo.

Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu
Bien Loin de Marienbad. Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde faleceu no dia 25 de fevereiro de 1996.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Para agir:

Lá vem

Lá vem o amor,
com essa sua cara que é toda sorriso!


Lá vem ele,
com este jeitinho que é todo bonito!
Que é todo preciso!


Lá vem o amor,
com essa expressão que nos encanta e engabela.


Lá vem o amor,
com todo seu perigo!


Lá vem este amor, lá vem!
Nos pedir a mão em namoro...
Com este seu silêncio que reverbera!

Lá vem o amor, lá vem,
com o seu turbilhão,
e,
Salve-se quem puder!






O amor é todo sentimentos....
E nós somos todo respeito e compreensão e segredo e sigilo e silêncio e aprendizado e o escambal também!




ChicO, "Porque toda razão, toda palavra, vale nada quando chega o amor" !!

É, parece que chegou!
("como quem chega do nada, ele não me troxe nada, também nada perguntou...
Mas entendo (perfeitamente) o que ele quer...")